Profissional mostra como a abordagem integrativa pode transformar o tratamento de alergias, sensibilidades alimentares e doenças autoimunes
A busca por tratamentos mais eficazes e personalizados tem impulsionado a nutrição integrativa no cenário da saúde, e é nesse contexto que o trabalho da nutricionista Marília Valença vem ganhando destaque. Com atuação voltada à saúde intestinal, alergias alimentares e doenças autoimunes, a profissional defende uma abordagem que enxerga o corpo humano como um sistema integrado, no qual sintomas não são tratados de forma isolada, mas compreendidos como reflexos de desequilíbrios mais profundos.

A trajetória de Marília na nutrição integrativa não surgiu a partir de uma decisão pontual, mas da aplicação prática dos conhecimentos adquiridos ainda em sua primeira pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional, concluída em 2016.
“Naquela época, o termo ‘nutrição integrativa’ ainda não era utilizado, mas o conceito já existia, cuidar do corpo como um todo”, explica.
Foi a partir desse entendimento que ela passou a se aprofundar no papel do intestino como um verdadeiro órgão regulador, com impacto direto na prevenção e no tratamento de diversas doenças, incluindo as autoimunes.
Na prática clínica, a principal diferença entre a nutrição integrativa e a abordagem convencional está na condução do cuidado. Enquanto o modelo tradicional tende a focar no controle dos sintomas, a nutrição integrativa busca identificar as causas que levam ao desequilíbrio do organismo.
“Não se trata apenas de aliviar sintomas, mas de entender por que eles surgiram e corrigir o problema na raiz”, destaca Marília.
A relação entre intestino e sistema imunológico é um dos pilares centrais dessa abordagem. Um intestino saudável é responsável por promover tolerância alimentar e imunológica, ensinando o sistema imune a reagir de forma adequada. Quando esse equilíbrio se perde, aumentam as chances de inflamações crônicas, alergias, sensibilidades alimentares e do desenvolvimento de doenças autoimunes.
“Grande parte das doenças crônicas não transmissíveis tem origem em um intestino desequilibrado, disbiótico e hiperpemeável”, afirma a nutricionista.
Dentro desse contexto, a alimentação exerce papel determinante. Nem todo alimento considerado saudável é bem tolerado por todos os organismos. Quando o corpo não consegue digerir adequadamente determinados alimentos, ocorre um processo inflamatório contínuo, capaz de ativar excessivamente o sistema imunológico.
“Se isso acontece de forma crônica, pode se tornar um gatilho para o surgimento ou agravamento de doenças autoimunes. Identificar esses alimentos é um passo essencial no tratamento”, explica.
Os resultados da nutrição integrativa são percebidos de forma concreta na prática clínica. Marília relata o caso de uma paciente com diagnóstico de artrite reumatoide que, após cerca de 20 anos em tratamento medicamentoso, convivia com dores constantes, baixa energia e perda significativa de qualidade de vida. Após dois meses de acompanhamento nutricional individualizado e suplementação adequada, a paciente apresentou melhora expressiva dos sintomas, da disposição e do bem-estar geral.
Apesar do maior acesso à informação, Marília observa que ainda são poucas as pessoas que conseguem relacionar sintomas persistentes à alimentação.
“Muitos convivem por anos com sinais claros de que algo não está funcionando bem e acabam normalizando o sofrimento, atribuindo tudo à genética ou dizendo que ‘é de família’”, pontua.
Diante do cenário atual da saúde, a nutricionista é enfática ao afirmar que a nutrição integrativa não é apenas uma tendência, mas uma necessidade.
“É um caminho sem volta. Não há outro modelo que ofereça respostas tão completas para problemas complexos”, afirma.
Ao final, Marília deixa uma mensagem para quem ainda convive com sintomas silenciosos e não encontrou respostas.
“O corpo fala o tempo todo por meio dos sintomas. Ignorá-los não deve ser uma opção. Cada pessoa merece ser enxergada como um ser integrado, com órgãos que se comunicam e precisam ser tratados como tal.”

